A forma mais difundida de governo é a democracia representativa. Com esse sistema, os eleitores são chamados às urnas periodicamente para nomear seus representantes, seja no nível municipal, provincial ou nacional. O modelo representativo é considerado insuficiente por alguns setores da sociedade.

Os críticos deste modelo acreditam que a democracia autêntica é aquela que permite a participação direta dos cidadãos.

O sistema ateniense no quinto século aC C e o cantonal da Suíça são as duas referências mais próximas do ideal de democracia participativa

Os atenienses entenderam que a felicidade pessoal não poderia ser entendida à parte dos interesses da comunidade. Com essa mentalidade participaram ativamente das assembléias populares para debater questões de interesse público. Suas decisões foram as que serviram de base para a elaboração de leis.

Na Suíça, os cidadãos dispõem de dois instrumentos de participação: o referendo vinculativo e a iniciativa legislativa do povo. Nos últimos anos, os suíços votaram em questões de imigração, o salário social, a limitação do salário dos empregadores ou do orçamento militar, entre muitas outras questões.

A democracia participativa e representativa são complementares e não devem ser entendidas como sistemas opostos

O eixo central do modelo participativo é obviamente o envolvimento dos cidadãos na tomada de decisão de uma comunidade. Assim, o voto direto do cidadão tem papel decisivo em tudo que lhe diz respeito, mesmo nas grandes questões que afetam sua nação.

O sistema participativo não deve ser entendido simplesmente como um procedimento de voto periódico, pois envolve também intervir na gestão do público através de uma série de mecanismos e canais de participação: a iniciativa popular baseada em um número de assinaturas acreditadas, consultas periódicas através da Internet, para que os cidadãos possam expressar a sua opinião sobre determinados assuntos de interesse geral, etc. Estes e outros sistemas já são legalmente reconhecidos em muitos países.

Os mecanismos de participação na vida pública têm várias funções. Por um lado, reforçam a democracia como forma de governo (um sistema parlamentar em que não há como a participação popular degenerar em uma democracia em que a voz do povo só é pronunciada em cada convocação eleitoral).

Por outro lado, a intervenção dos cidadãos na tomada de decisões pode ser um antídoto eficaz para combater as diferentes formas de corrupção política (se os representantes do povo sabem que estão a ser observados pelas pessoas com as quais são menos propensos a cair) a tentação de cometer algum tipo de abuso de poder)