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VIII BIENAL DO RECÔNCAVO Na V Edição da Bienal, dois artistas da região ganharam os principais prêmios, Manoel Nery de Cachoeira, foi o artista destaque do Recôncavo e Suzart, que reside e produz na cidade de Muritiba, sem vínculos com Salvador ou outras Metrópoles, um artista característico da região do Recôncavo, ganhou, pela primeira vez, o Grande Prêmio de Viagem à Europa. Nery utiliza vassouras de piaçava para realizar um objeto escultural intitulado Cafua de Faquir, e Suzart recorre a panelas de alumínio e constrói a instalação As Marias, Expressões Ready-Made, apresentada pela primeira vez por Marcel Duchamp em 1917 que atualmente retornam às Bienais e Salões de todo o mundo. Ao adquirir um mictório de porcelana em uma casa de material de construção, e simplesmente assinar este objeto com o pseudônimo de R. Mutt, Duchamp afirmou que Não importa se o Sr. Mutt fez ou não a obra, o que importa não é a realização, e sim a idéia da criação na escolha do objeto. Para nós, o que importa nos trabalhos de Suzart e Nery é que são feitos de objetos do nosso cotidiano, e trazem uma linguagem universal, elaborando uma plasticidade dialética calcada em um discurso essencialmente regional não regionalista. A Bienal do Recôncavo, em todas a suas edições, evitou a cristalização de uma tendência, refletindo sempre nossa pluralidade cultural. Incentivamos a busca de uma expressão regional que nos relacione com o universo a partir de nossos valores culturais, por acreditarmos que, com a globalização econômica, uma sólida cultura se articula a partir dos países centrais, tentando inibir as diferentes expressões culturais periféricas e se impor autoritariamente ao planeta. Não devemos baixar nossas cabeças para este processo cultural autoritário, nem podemos simplesmente negá-lo. O mesmo realiza-se independentemente de nossas vontades. Acreditamos que é na estética da dignidade, construída a partir dos valores culturais de nossas regiões e aldeias, que encontraremos o caminho para enfrentarmos o discurso World-Culture autoritário. Na V edição, realizada em setembro do ano 2000, a questão central das idéias propostas pela Bienal do Recôncavo parece ter sido compreendida. As obras de Suzart e Nery, a Penteadeira de Puta de Adriano Castro, as esculturas de Mister, o traço de Nelson Magalhães, Herivelton Figueredo e Sales, as encáusticas de Luís Marcelo, os nichos de Maxim Malhado, entre outros trabalhos que foram apresentados na Bienal, nos dão a esperança de que estamos reunindo fragmentos para a construção de uma estética visceralmente nordestina, que nos dignifica e nos possibilita dialogar com o universal com linguagem própria. |